quinta-feira, 13 de Março de 2014

Concurso Ideias de Inovação Social – CIS-M



Já se encontra oficialmente aberto o Concurso de Ideias de Inovação Social – CIS-M, cujo objetivo é encontrar as 3 ideias com mais potencial para resolver problemas sociais de forma sustentável da Área Metropolitana do Porto.

O concurso IS CIS-M é composto por 3 Fases com características distintas – Fase Seleção, Fase Capacitação para as 10 ideias finalistas, e Fase Final, e o objetivo principal é encontrar-se as 3 melhores ideias que receberão os respetivos prémios.

O concurso IS CIS-M é organizado pela INOVA+ e a Área Metropolitana do Porto, juntamente com os parceiros Fábrica de Sto Thyrso e Sanjotec.

Se achas que tens uma ideia original que consegue resolver um problema social de forma sustentável, então este desafio é para ti! Faz as tuas ideias acontecer e participa! 
Para saber mais sobre o concurso IS CIS-M ver: www.cis-m.org

quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014

Erro comum das empresas sociais: Darem prioridade aos objetivos sociais acima da sustentabilidade

Enfatizando e atribuindo relevância à componente do negócio da empresa social é que a missão social pode ser verdadeiramente atingida, revela um artigo do de Guardian relativamente à importância que se deve dar à componente do negócio nas empresas sociais.

Se se pretende realmente criar impacto social é necessário lidar com o essencial do negócio.

A questão que muitas vezes se coloca é porque é que muitas empresas sociais falham na sua missão? A resposta encontra-se no facto destas darem grande prioridade à missão social em vez de tornarem um negócio viável e alcançar a sustentabilidade financeira. 

Esta abordagem falha já que mais dinheiro é sinónimo de maior impacto social. Na verdade, existem negócios sociais para ganhar dinheiro e fazer o bem, e é apenas dando relevância ao lado comercial da empresa social que a missão social pode ser verdadeiramente alcançada.

Sobre este ponto, das empresas sociais que tive o privilégio de conhecer no Reino Unido, todos os seus promotores falavam da grande importância que se tinha que dar ao negócio, porque a partir do momento em que a missão social é favorecida em detrimento do negócio, esta fica automaticamente comprometida.

Um dos exemplos de empresas sociais de sucesso no Reino Unido é a do Jamie Oliver, Fifteen e o Divine Chocolate (ver mais em http://www.socialenterprise.org.uk/), sendo bem sucedidas porque funcionam na lógica em que fazer dinheiro permite que a sua missão seja alcançada. Isto é verdade em todos os sectores da economia, e ainda mais, para as empresas sociais que necessitam de colocar a empresa antes do social para alcançarem sustentabilidade para a sua missão.

A ideia de que a receita deve vir antes do impacto social pode parecer a lógica de "La Palisse", contudo, uma recente pesquisa da Social Enterprise UK, constatou que apenas 32% das empresas sociais citou o comércio com o público em geral como a sua principal fonte de rendimento, e além destas empresas sociais, 89% procura subsídios em vez de empréstimos.

Destaca-se neste caso, uma falta de entendimento comum no sector sobre o que significa ser uma “empresa”, sendo uma das falhas identificadas no estudo a falta de familiaridade com a ideia de negociação e operar no mercado como qualquer outra empresa.

Outro facto, está intimamente ligado ao desejo de muitas empresas sociais serem sociais sem serem empreendedoras, o que se configura como paradoxal e que em última análise acaba por prejudicar a sua capacidade de cumprir a missão, ou então, não se trata de uma empresa social porque não se conseguiu distanciar do assistencialismo, factor muito marcante no terceiro sector.

Note-se que para dar um apoio às empresas sociais que estão a começar, os subsídios, donativos, crowd funding e benefícios sociais desempenham um papel importante no lançamento da empresa, no entanto, estas não terão capacidade de se sustentarem a médio-longo prazo.

O que é preciso ter em conta é que assim que as empresas sociais tenham um rendimento diversificado e estável baseado no negócio elas estão melhor posicionadas para terem um grande impacto social.


Para saber mais como as empresas sociais conseguem alcançar a sua missão através das pessoas que empregam, dos serviços que prestam e dos produtos que vendem, Veja: http://www.theguardian.com/social-enterprise-network/2014/feb/17/social-enterprises-must-prioritise-viability

terça-feira, 23 de Abril de 2013

Pessoas com deficiência visual e cegas – autênticos guias à hora da refeição

 Pessoas com deficiência visual e cegas são marginalizadas do mercado de trabalho. Um negócio de inovação social consegue dar resposta a este problema que de forma inovadora prova ter conseguido a fórmula certa para atrair o público: usar a sensibilidade dos sentidos. O negócio social é o restaurante “Blindkuh” em Zurique, o primeiro a ser criado baseado neste conceito, contando também em Paris com o conceituado “Dans le noir”, que mesmo não sendo dos mesmos promotores do “Blindkuh” baseia-se exatamente no mesmo modelo - a partir do momento em que os clientes passam a porta de entrada do restaurante tudo fica escuro e os clientes em completa escuridão podem apenas contar como guias pessoas cegas ou com deficiência visual, contrariamente ao que acontece. 

 No restaurante as pessoas comem em completa escuridão socializando e aproveitando a comida com todos os outros sentidos excluindo a visão. Os clientes são conduzidos e servidos por invisuais e cegos que trabalham no restaurante. Esta experiência permite perceber o estilo de vida destas pessoas. Como os olhos não recebem luz, o sentido da visão fica inoperante obrigando o corpo a trabalhar com a percepção espacial de forma mais complexa. Como defendem alguns psicólogos, esta complexidade de percepção tem influência na audição, na medida em que as pessoas como não se conseguem ver acham que não vão conseguir ser ouvidas, passando assim o escuro a criar um obstáculo na voz, acontecendo muitas vezes que nos primeiros minutos dentro do restaurante as pessoas começam a falar em tom de voz elevado, até perceberem que as pessoas estão perto de si e que podem ser escutadas num tom de voz mais baixo. 

 Qual o impacto social deste conceito de restaurante? 
O restaurante desde a sua criação em 1999, já criou mais de 70 empregos sendo pelo menos 30 ocupados por pessoas com deficiência de visão ou invisuais e já recebeu mais de 670.000 clientes. Através desta oportunidade única de compromisso entre pessoas invisuais ou com deficiência visual e pessoas com visão, tem fomentado uma maior compreensão sob a forma de viver destas pessoas com este tipo de deficiência. 

Principais beneficiários: 
As pessoas com deficiência visual ou invisuais que vivem a marginalização relacionada com oportunidades de trabalho são o principal público-alvo. Simultaneamente, o negócio social tem como alvo o público em geral de modo a aumentar a sua consciência, sensibilização e empatia sobre o mundo dos invisuais e deficientes visuais. 

Sustentabilidade 
Para o público em geral apresenta-se como uma experiência única e de grande impacto na descoberta de interagir de maneira diferente com este grupo de pessoas com deficiência visual. Para o restaurante é um negócio economicamente sustentável.

Inovação
Este tipo de projeto/negócio social permite uma combinação única na promoção da capacitação de pessoas invisuais e com deficiência visual, enquanto simultaneamente oferece uma valiosa compreensão e consciencialização do estilo de vida destas pessoas. 

Escalabilidade /replicabilidade 
O restaurante Blindekuh abriu em 1999 em Zurique, sendo o primeiro restaurante do mundo com este conceito. Em 2005 o conceito foi replicado em Basel, tendo desde então sido copiado e replicado mais de 20 vezes em todo o mundo.

Para saber mais sobre este conceito de negócio social de sucesso cujo modelo se baseia na escuridão total e no qual o serviço é realizado por pessoas invisuais ou com deficiência visual e onde simples tarefas se apresentam como verdadeiros desafios, veja: Blindkuh: dark Restaurant

quinta-feira, 21 de Março de 2013

O livro da semana: "The Real Problem Solvers: Social Entrepreneurs in America”

O livro “The Real Problem Solvers: Social Entrepreneurs in America” apresenta-se como uma compilação de visões e perspectivas de diversos empreendedores sociais que contam através de histórias profundas o que consideram ser o empreendedorismo social, conduzindo a uma discussão alargada sobre como o empreendedorismo social enquanto movimento teve impacto na forma como a filantropia e a mudança social são realizadas. As questões principais que se colocam são o que mudou e porquê? De que modo é que o pensamento comum aos atores principais dentro do quadro do empreendedorismo social evoluiu e influenciou a sua trajectória? Uma das reflexões do livro e que tem levado a grandes discussões e divergências centra-se na aplicação do modelo de negócio à mudança social, na medida em que uns defendem que é possível utilizar um modelo inteiramente capitalista e aplicá-lo a um bem social, e outros olham apenas para alguns aspectos do comportamento na procura do lucro e para os modelos de negócio tradicionais como forma de explicar e desenvolver a área do empreendedorismo social. Para assegurar sustentabilidade e diferenciar-se dos movimentos filantrópico e sem lucrativo, Jim Fruchterman, Ceo da Benetech afirma que, “os empreendedores têm de compreender o seu mercado. Quase todas as questões sociais podem ser reformuladas para as habituais questões de mercado, tais como: Quem é o cliente? Qual é a sua proposição de valor? Quem são os seus concorrentes? Ou seja, compreender os seus clientes, o ambiente em que se movem e as suas necessidades, é fundamental para qualquer empreendimento social.” Para saber mais sobre o livro editado por Ruth Shapiro, que reúne artigos e depoimentos de empreendedores sociais que foram bem sucedidos ao usarem ferramentas de gestão para responder a problemas sociais com o fim último de “tornar o mundo um lugar melhor”, veja:The Real Problem Solvers: Social Entrepreneurs in America

quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Ideo-org - juntos desenham a mudança e trazem o design para quem mais precisa


Ideo-org coloca o design ao serviço de instituições que pretendem de forma inovadora responder aos problemas sociais. Assim, a empresa de design e consultoria ideo que desenvolveu soluções de design para grandes empresas como a Apple, PepsiCo e Microsoft decidiu criar uma nova organização sem fins lucrativos, a Ideo-org, que se concentra exclusivamente em fornecer soluções de design para instituições sem fins lucrativos, empresas sociais e organizações de caridade. O design é centrado no homem em todo o sector social para melhorar a vida de pessoas com baixos rendimentos e foco nos desafios relacionados com a pobreza. Esta organização é o resultado do interesse de organizações sem fins lucrativos e de fundações que procuram mais acesso a formas inovadoras para abordar alguns dos problemas mais desafiadores do mundo e que procuram criar impacto tangível.

Um conjunto de critérios gerais ajuda a determinar quais os projectos que a Ideo-org assume: O local ou as pessoas beneficiárias do projeto têm de ser uma comunidade ou grupo de baixo rendimento; a organização parceira tem de ser uma organização sem fins lucrativos, fundação ou empresa social; e o resultado do desafio deve ser tangível – um produto, serviço, negócio ou sistema – que irá beneficiar diretamente a Comunidade ou as pessoas para as quais foi projetado.


Segundo os seus directores, antes de tudo o resto é preciso compreender a comunidade que se pretende servir, sendo o elemento mais importante do design sem fins lucrativos saber quem é que se está a tentar ajudar antes de iniciar o desenho dos primeiros protótipos. Estes defendem que, "exige uma profunda humildade ir a lugares que não são conhecidos e saber e entender o que é que os motiva, quais são os seus comportamentos, e estar receptivo e empenhado em aprende-los".

Num dos projectos desenvolvidos em parceria com o Banco Mundial cuja missão consistia em relacionar mexicanos de baixo rendimento com melhores serviços financeiros, em vez de partirem da ideia "como obter produtos de poupança para pessoas pobres" começaram por tentar realmente entender as vidas das pessoas de baixo rendimento, como é que elas se relacionam com o dinheiro e então depois é que começaram por projectar adequadamente serviços que consigam responder a essa realidade.

Através desse processo, a Ideo-org. descobriu que as famílias de baixo rendimento nem sempre usam contas de poupança deposito para as suas poupanças, eles proprios guardam o dinheiro quando se trata de preparar para grandes despesas como a educação dos seus filhos.

Outro principio colocado em acção neste tipo de projectos é que estes tenham um impacto mensurável, que produzam efeitos garantindo não só responsabilização mas segundo os directores também tornando o trabalho mais gratificante, " não há nada mais gratificante do que ver as pessoas cujas vidas melhoraram radicalmente por causa do trabalho que temos feito".

A terceira peça importante do design sem fins lucrativos é garantir que os parceiros da Ideo-org sejam organizações dedicadas à inovação e à Assunção do risco.

Como se trata de uma iniciativa recente ainda não existem estatísticas especificas sobre a taxa de sucesso dos programas da Ideo-org, mas até ao momento a abordagem tem sido tão eficaz para as organizações sem fins lucrativos e empresas sociais como para as grandes corporações.

Para saber mais sobre esta iniciativa da Ideo que coloca o design ao serviço de instituições que
de forma inovadora tentam responder aos problemas sociais, veja:

Ideo-org

terça-feira, 8 de Maio de 2012

Programa E3M – Iniciativa da Comissão Europeia para as empresas sociais



A Comissão Europeia consciente do poder da empresa social vai lançar em Junho de 2012 uma nova iniciativa de Negócio Social designada de E3M.

O Programa E3M consiste na forma como as empresas sociais podem fornecer serviços públicos de modo mais sustentável e foca-se essencialmente em 3 elementos-chave: Mercados, Dinheiro e Modelos (3Ms - Markets, Money and models) e como as questões-chave de cada um pode em conjunto determinar o sucesso.

Mercados
Este programa defende que analisando os Mercados dos serviços públicos e a forma de como estes são criados e geridos consegue-se determinar como as empresas sociais podem comercializar e negociar no seu âmbito. Algumas vezes é dada pouca atenção a esta questão implicando algumas consequências no bom desempenho das empresas sociais. Resolver questões das leis de contratos, apoios estatais e comissões de serviço público são importantes para escalar empresas sociais como veículos de inovação e transformação. Deste modo, move-se o foco para os princípios da natureza da empresa social e para o conceito de comercialização no mercado dos serviços públicos sem nunca perder de vista o claro objectivo social.

Dinheiro
As finanças são o motor do crescimento dos negócios sociais bem como o acesso a investimentos, permitindo assim às empresas sociais prosseguirem com o seu objectivo social e fazerem crescer o seu negócio com sustentabilidade através da utilização de diferentes instrumentos financeiros.

Modelos
Os Modelos de negócio que combinam escalabilidade, boa governança e que utilizam os instrumentos financeiros apropriados são essenciais. Os modelos para medir o impacto tornam-se cada vez mais importantes para o tipo de investimento a utilizar e para a demonstração dos resultados aos investidores.

Este programa tende a ligar líderes de empresas sociais de sucesso que prestam serviços públicos com inovadores de serviços públicos e investidores sociais. O seu objectivo é criar políticas em toda a UE centrando-se nestas três áreas principais de modo a desenvolver conhecimento colectivo e criar valor com resultados práticos.

Para saber mais sobre esta iniciativa que irá desenvolver seminários, conferências e actividades e trabalhar por toda a europa com diferentes organismos de empresa social e organizações de economia social de modo a apoiar e promover a prestação dos serviços públicos pelas empresas sociais, veja:

E3M Iniciativa Comissão Europeia para as Empresas Sociais

quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Amazings – O marketplace para pessoas reformadas ganharem dinheiro extra e serem activas na sociedade

No Reino Unido, a empresa social amazings é uma nova empresa social em Londres que paga a pessoas reformadas ou prestes a reformarem-se para que partilhem em grupos de actividades algumas das suas competências, conhecimentos e experiências que ganharam ao longo da sua vida activa, de modo a traze-los de volta à comunidade.

Acima de tudo o que a empresa social amazings pretende combater é o isolamento das pessoas que vivem em comunidades isoladas onde a maioria destas não conhece o seu vizinho, traduzindo-se esta situação em menos capacidade de se tomar conta das pessoas mais velhas e de se apoiar os mais jovens.

A amazings é uma nova forma de modelo de voluntarismo, que pretende “trazer as pessoas de volta para o tecido social.”
A equipa amazings permite que as pessoas que estão reformadas tragam de volta as suas competências e habilidades às suas comunidades por um pequeno valor. Assim, um fotógrafo que esteja aposentado pode dar aulas de fotografia a preto e branco ou um historiador na comunidade pode oferecer uma “tour” de bicicleta local.

Uma plataforma web fornece a “vitrine” para essas competências que são “trocadas” por valores entre 10£ e 25£.
A chefe de equipa da amazings, Katie Harris defende que: “o maior desafio que enfrentaram foi as pessoas não entenderem quão incrível elas são! É óptimo quando encontramos alguém que desfia uma lista de coisas que pode fazer, que para elas são muito normais, mas para nós são seriamente interessantes!”

Para saber mais como a empresa social amazings consegue ligar as comunidades entre si através de experiências e competências que podem ser transferidas para outras gerações, veja:

The amazings
Market place -The amazings